Um dia comum

Um dia comum

Uma rua deserta. Casas velhas. Algumas árvores secas. Uma pedra. Sol a pino.

Surgiram mãe e filho de mãos dadas no horizonte. Ela paciente. Ele decobrindo o mundo. Pareciam felizes.

A mãe mais velha do que era e menos feliz do que se mostrava, não se dava conta disso, pois parou de fazer perguntas há muito tempo.

O filho tinha seis anos e sem dúvidas era feliz. Exergava na mãe uma rainha linda e sábia. Ela simplesmente sabia de tudo. De tudo!

Filho: Mãe quem mora nessa rua?

Mãe: Um monte de gente.

Filho: E o que eles estão fazendo agora?

Mãe: Devem estar descansando.

Filho: Eles tem filhos?

Mãe: Tem, todo mundo tem filhos.

Filho: Por quê?

Mãe: Por que os filhos são uma bênção.

Filho: Mãe o que é benção?

Mãe: É como essa árvore.

Filho: Mas o que é benção?

Mãe: É um presente.

Filho: Eu sou um presente?

Mãe: É, meu amor.

Filho: E você é um presente da vovó e do vovô?

Mãe: Isso mesmo.

Filho: Mãe, quem fez a pedra?

[Silêncio]

Mãe: Foi Deus meu filho.

[Silêncio]

Mas como foi que ele fez isso?

[Silêncio  grande]

Seguiram em silêncio.

Pollyanna Monteiro

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Universo.

Hoje, os mundos nas sementes de mostarda.

Universo.

2,7 anos

levantei e resolvi tentar

e assim foi por mil dias

mil dias passaram-se

fracassei no objetivo, desviei da tentativa

agora, concentrada, vai dar!

levantei hoje e resolvi tentar deixar tudo para trás.

Sonhos.

Começo com este post uma série de fotografias sobre o feliz e o triste.

Na foto de hoje, os bons sonhos da Yoko!

Magiluth e o que o meu olhar guardou

Aquilo que meu olhar guardou para você, do Grupo Magiluth.

Meu olho vê de guardar. Uma imagem de bebê ou uma rodoviária, um personagem de desenho animado ou as músicas de Janis Joplin, estão afundados nos meus olhos desde ontem. No bolsão dos meus olhos, a lágrima, a perda, a exposição, os anos, o ofício. Cristalino encontro, êfemero encontro. Jogando abertamente ou em vias de percepções mais sutis os Magiluths nos deixam sem a verdade. Verdade, belo… Para quem?  Para que a verdade e o belo? O interlocutor não deve ser nem um coveiro, nem um pastor (lembram?), então para quem falar?

Meninos, vocês nos enganaram o tempo todo! Um envolvimento sentimental demais e, de súbito, submergiam escrachos, esculhambações, xingamentos! Brincar de representar, brincar de se expor, brincar de morrer… Quanto cabe de adeus entre duas pessoas? Em quanto tempo se parte uma fitinha com três nós? Qual o tempo de um desejo? A gente sabe como termina esta história de desejo, então, melhor pararmos por aqui!

Melhor me despedir antes de escrever mais besteiras aqui do frio e da lotação. Tem uma coisa sobre lotação que me lembra a verdade. A verdade é que a verdade está perdida na lotação. É enorme a energia da lotação, cores azuis, amarelas, vermelhas, cabeças a rodar, lâmpadas a acender e a apagar, manifestações de uma luz divina claríssima, manipulações nas diversas direções… No meio e em cada parte da lotação a verdade está implementada, taxada. Tudo lotado, ar contido, preso, sufocamento. Um monumento levantado ao empurra-empurra! Salve a Paulicéia Desvairada! Agora, mandar tomar no cú é foda! Isso não é necessário, pois você não vai, vão lhe levando, correto?! E o tempo (e a lotação?) que leva a verdade, traz de volta um desconhecido, não a metade, um desconhecido inteiro já com tanta coisa para ele construída, guardada.  Desculpe… Parece impossível livrar-se do peso. Mas, quem se importa? Vamos aos toucinhos, aos pastéis, ao burguês-níquel!

Me parece natural trocarmos de lado, revelarmos nomes, histórias familiares, confidências… Brincar de se expor. Ah, a segurança de estar no palco! Ah, a segurança de não estar no palco! Pássaros me povoam!

Evoé, Magiluth, muito trabalho e sorte!

http://www.grupomagiluth.blogspot.com.br

diz-me o que preciso e leve o meu amor.

aqui há promoção de amor

apenas algumas palavrinhas queridas e você pode levar um amor

amor de linha cromada, com filtro embutido, 150 cavalos

amor em 15, 30 ou 60 segundos

só algumas palavrinhas, queridas palavrinhas

mas se beber, não fale

fale somente o que eu quero ouvir, fale da minha salvação, da esperança, das mãos dadas até o fim

fale do vento, do biquíni vermelho, do som do mar

fale que isso vai passar, que tudo vai melhorar, fale que restará o amadurecimento

fale mesmo que seja mentira

me engane com as palavras, me engane com meu consentimento

fale sobre o porvir da vida, fale sobre o ciclo lunar

fale do vazio, para o vazio, no vazio

fale uma mentira linda que salve o meu dia

me diga sobre o tempo a nos melhorar, sobre a piedade a nos redimir

não esqueça, preciso que você fale de meus fracassos, meus insucessos frutíferos, meus piores erros bobos

fale-me de quem eu era, minta sobre mim, invente meu passado

um passado inventado que seja, ao menos assim eu me lembraria…

não esqueça que preciso ouvir sobre meus feitos heróicos fugazes, sobre minhas ínfimas e pueris lutas grandiosas

quando me chamar não esqueça de me atualizar sobre este exato momento

a decadência sexy e o desânimo jovial deste presente momento

me fale sobre a beleza do já saber morto

continue a falar o que quero ouvir

e meu amor será sempre teu,

V.

_/\_

“No trates de convertirte en algo. No hagas algo de ti. No seas un meditador. No llegues a la iluminación. Cuando te sientas, deja que sea. Cuando camines deja que sea. No te Sujetes a nada. No te resistas a nada.
Si no has llorado profundamente, no has comenzado a meditar”.

Ajahn Chah

escuro da densidade

escuro uterino

escuro do respiro

escuro das palavras

escuro dos conceitos

escuro das urgências

escuro dos quereres

escuro dos desenlaços

escuro das chamas

escuro dos mergulhos

escuro dos sentidos

escuro do retorno

escuro dos olhos

escuro do vazio

escuro de todo

 

Se eu pudesse trincar a terra toda

Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
E se a terra fosse uma cousa para trincar
Seria mais feliz um momento…
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural…
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se,
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva…

O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica…
Assim é e assim seja…

 

Alberto Caeiro em “O Guardador de Rebanhos – Poema XXI” – Fernando Pessoa

dominó de met(t)as

pelo preço a pagar dá pra julgar

nenhuma análise me entrega a metta

nem a meta de parecer

a meta de aparecer

a meta de perecer

pelo preço a pagar não dá pra julgar

a metta por atingir

a meta por deixar ir

de novo ao alcance

pega, é ali

onde?

pelo preço e seu invento

na metta existe mais além, pura e simplesmente

meta, para! volta!

dá a volta por si, mas e se cair?

deixa parecer inventado, de ilusões também se amparam quedas

deixa pertencer

deixa

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