Para Claudia

deus, ajuda

madrugou cego e foi trabalhar.

Eu sou aquela mãe solteira.Eu sou aquela mulher

Eu sou aquela mãe solteira.

Eu sou aquela mulher que envelhece em flácido corpo.

Eu sou o amante traído, enlouquecido.

Eu sou a mãe de família cozinhando bifes.

Eu sou o cachorro que precisa ser sacrificado.

Eu sou o enfermeiro depois de 36 horas de plantão.

Eu sou a avó cibernética.

Eu sou o artista contemplado.

Eu sou o pai doente.

Eu sou o gato no dia de sol.

Eu sou a garota de sorriso lindo que anda livremente no escritório.

Eu sou o gozo manifestado seis vezes ao anoitecer.

Eu sou o relatório com pressa.

Eu sou o ônibus cheio.

Eu sou a enchente que arrasta lixo.

Eu sou o namoro vencido.

Eu sou o beijo inclinado, girado, pressionado.

Eu sou a goteira em testa confusa.

Eu sou a alegria que dura uma lua cheia.

Eu sou o medo de viver uma infelicidade.

Eu sou repouso em colo de amor.

Eu sou o caos cimentando a metrópole.

Eu sou Alberto Caeiro, Joplin, Brecht, Lao Tsé, Neruda, Ésquilo.

Eu sou um estado de estar.

Vai me desculpando… 

 

andorinha não faz no verão, mas faz no outono!

Hoje uma andorinha fez cocô em mim.

Sorri. Gargalhei. Me vi alegre com aquela cagada. Leve.

Feliz na merda.

Dodeskaden?

Pai e filho.

–       Aquela é a almôndega. Ali é a ervilha. Tem o filé… Tá vendo, filho?

O painel com as fotos das comidas é grande.

O menino castanho em cima da carroça é pequeno.

 

O pai segue subindo a rua puxando sua carroça.

Olho grande. Painel pequeno.

diálogo de rua

– olha lá! esta senhora todos os dias dá pão dormido para os pombos.

– porra, muitos, né?!

– muitos, acho isso foda.

– você acha? semana passada tinham três mortos bem na frente da casa dela.

[silêncio]

– por que você acha que eles voltam pra morrer perto dela?

Só digo uma coisa (ou duas):

Frango orgânico é um pleonasmo tanto quanto amor livre.
Mantenho a ideia em: frangos livres e amores orgânicos.
Frangos amorosos e liberdades orgânicas.
Daí lembrei da conveniência das palavras e parei por aí.

Deu medo de lembrar da conveniência do “amor” e da “liberdade”.

Batismo Infeliz

Por Polly

 

Em tempos de Feliciano, até  mesmo a Felicidade pensa em trocar de nome.

Imagem

 

 

Distância

para onde vão os pensamentos esquecidos?

do escuro dois brilhos de olhos me observavam, para onde seguiram olhando?

certa vez consegui me entregar, jogar-me pesadamente no teu coração, sensação esquecida… quando?

vibra de dor o corpo que não consegue ser ajudado

esta noite, tomei a mesma decisão da noite passada

amanhece e já me esqueço de tentar

como se consegue apagar alguém?

como se consegue pendurar pra fora um amor?

Glup! Acho que acabo de engolir o passado.

Espíritos famintos

carro, mas não é zero

bike, mas não tem montanhas

zazen, mas não tem árvores, pássaros, água

casamento, mas sem lar

trabalho, mas não tem tesão, satisfação

sexo, mas que trabalho!

caminhadas, mas tem frio, tem chuva

namorada, mas não tem novidade

começo, mas não tem facilidade

fim, mas não tem continuidade

música, mas não tem tempo

sono, mas não tem paz

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

%d blogueiros gostam disto: